Gastrite atrófica metaplásica autoimune

Gastrite atrófica autoimune metaplástica consiste em doença hereditária autoimune que ataca as células parietais,causando hipocloridria e diminuição da produção de fator intrínseco.
São suas consequências a gastrite atrófica,a má absorção de vitamina B12 e,com frequência,a anemia perniciosa.
O risco de carcinoma gástrico está aumentado 3 vezes.
O diagnóstico é por endoscopia.
O tratamento consiste em uso parenteral de vitamina B12.

Pacientes com gastrite atrófica autoimune metaplástica (GAAM) têm anticorpos contra as células parietais e seus componentes (os quais incluem o fator intrínseco e a bomba de prótons H+,K+-ATPase).
A GAAM é adquirida por herança autossômica dominante.

Alguns pacientes também desenvolvem tireoidite de Hashimoto e 50% têm anticorpos contra tireoide,por outro lado,anticorpos contra a célula parietal são encontrados em 30% dos pacientes com tireoidite.

Gastrite atrófica

Gastrite atrófica

A falta do fator intrínseco leva à deficiência de vitamina B12, que pode resultar em anemia megaloblástica (anemia perniciosa) ou sintomas neurológicos (degeneração combinada subaguda).
A hipocloridria causa hiperplasia de células G e aumento dos níveis séricos da gastrina (em geral > 1.000 mg/ml).
Níveis aumentados de gastrinemia causam hiperplasia de células semelhantes a enterocromafins,as quais ocasionalmente podem originar tumor carcinoide.
Em alguns pacientes,a GAAM pode estar associada à infecção crônica por Helicobacter pylori,embora essa relação não esteja clara.
Gastrectomia e supressão crônica da acidez gástrica com IBP causam deficiências similares da secreção do fator intrínseco.
As áreas de atrofia gástrica no corpo e antro podem se manifestar como metaplasia.
Os pacientes com GAAM têm chance 3 vezes maior de desenvolverem adenocarcinoma gástrico.
Pacientes com atrofia da glândula e/ou metaplasia intestinal com distribuição multifocal,como na curvatura menor do corpo e no fundo gástrico,têm um fenótipo denominado gastrite atrófica multifocal.
O comprometimento multifocal é considerado "extenso",em contraste com "acentuado",que se refere à gravidade em um local específico.
O risco de adenocarcinoma gástrico é maior entre os pacientes com gastrite atrófica multifocal.

Diagnóstico

  • Biópsia endoscópica

O diagnóstico da gastrite atrófica autoimune metaplásica é feito por biópsia endoscópica.
Os níveis de vitamina B12 devem ser obtidos.
Anticorpos contra as células parietais podem ser detectados, mas raramente são solicitados na rotina.
A questão da endoscopia de vigilância para o rastreamento do câncer não foi definida.
As diretrizes para o tratamento de quadros pré-cancerosos e lesões no estômago de um grupo multidisciplinar europeu recomendaram que os pacientes com atrofia gástrica extensa e/ou metaplasia intestinal (gastrite atrófica multifocal) devem fazer vigilância endoscópica a cada três anos,mas que os pacientes com atrofia leve a moderada ou metaplasia intestinal restrita ao antro não precisam de vigilância.
A relação de custo-efetividade dessa estratégia não foi estabelecida.

Tratamento

  • Vitamina B12 parenteral

Não há necessidade de outro tratamento além da reposição parenteral de vitamina B12.

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