O QUE É A ESTENOSE DE TRAQUEIA?
A estenose da traquéia,nada mais é do que um estreitamento traqueal,dificultando a passagem de ar aos pulmões,e em casos mais graves podendo gerar grave insuficiência respiratória (falta de ar).
CAUSAS PARA A ESTENOSE DA TRAQUEIA
A causa mais frequente,responsável por mais de 90% dos casos é a estenose pós intubação traqueal.
Quando um paciente,geralmente com uma doença grave, utiliza um ventilador mecânico,para auxiliar em sua respiração e na oxigenação do sangue,é necessário que utilize um tubo na traquéia para insuflar o ar no pulmão.
Este tubo possui um balão de ar (cuff) na ponta,para "vedar" a via aérea,evitando que o ar que entra nos pulmões escape ou que restos alimentares provenientes da boca ou esôfago,caiam nos pulmões.
Porém,este balão exerce uma pressão na parede traqueal,o que dificulta a circulação sanguínea nesta,assim podendo gerar isquemia (falta de sangue e oxigênio) e por isso,morte de suas células.
As células ao morrerem são substituídas por tecido cicatricial (fibrose) que pode gerar a estenose.
Outras causas de estenose são:tumores traqueais,doenças inflamatórias como tuberculose e sarcoidose e estenose idiopática,em que não é possível determinar a causa da estenose.

QUADRO CLÍNICO
Na maioria dos casos,uma estenose menor que 25% do calibre da traquéia é praticamente assintomática,gerando sintomas apenas aos grandes esforços.
Uma estenose maior que 50%,por sua vez,gera sintomas mesmo com a pessoa em repouso e é a que gera maior risco.
Os sintomas mais frequentes são dispnéia (falta de ar) e estridor ou cornagem (sons de timbre grave à respiração).
A estenose maior que 50% tem um risco importante de morte, pois uma rolha de catarro,mesmo pequena,pode obstruir completamente a traquéia na altura do estreitamento, impedindo a respiração.
DIAGNÓSTICO ESTENOSE TRAQUEIA
O próprio quadro clínico (história de intubação ou traqueostomia,falta de ar e estridor ou cornagem) geralmente já indica o diagnóstico,que pode ser confirmado pela broncoscopia (exame de escolha) ou por tomografia computadorizada.
As tomografias e a broncoscopia também têm a vantagem de permitir um estadiamento da doença,isto é,saber quanto da traquéia está doente e o grau de doença,já permitindo avaliar uma abordagem definitiva do problema.
TRATAMENTO NA FASE AGUDA
Na fase aguda,isto é,quando o paciente apresenta a estenose, gerando sintomas importantes existem duas opções de tratamento.
A primeira é a dilatação da estenose via broncoscopia rígida, onde são passados tubos metálicos de calibre crescentes pela estenose,fazendo uma calibragem desta e assim alargando sua luz.
Em uma pequena minoria dos casos pode resolver o problema definitivamente,porém na grande maioria,pelo fato da própria dilatação traumatizar a traquéia,esta predispõe a um novo fechamento e por isso,a dilatação é geralmente usada como ponte,isto é,para tirar o paciente daquele quadro de urgência e programar um procedimento definitivo.
Outra opção é a traqueostomia,confeccionada na altura ou abaixo da estenose,para que o ar passe direto do traqueostoma (abertura da traquéia) ao pulmão,sem passar pela área de estenose.
Sua vantagem é a resolução também em longo prazo,sua desvantagem é a impossibilidade de fala (pois o ar não passa mais pelas cordas vocais) e o fato que se não for realizada adequadamente pode dificultar outro tratamento futuro (traqueoplastia).
TRATAMENTO DEFINITIVO
A decisão sobre tratamento definitivo basicamente envolverá dois fatores:a extensão da doença e o estado de saúde do paciente em que ela se encontra.
A extensão da doença é importante,pois para se realizar uma traqueoplastia,é necessário pelo menos 50% da extensão da traquéia sem doença.
Também,a localização da doença (no terço proximal,médio ou distal) influenciará na técnica usada para sua realização.
O estado de saúde é importante,pois não sendo a traqueoplastia um procedimento simples e um procedimento que necessita da colaboração do paciente no pós operatório, pacientes com déficit neurológico ou doenças sistêmicas graves (cardiopatias,por exemplo) não são bons candidatos à sua realização.
Por isso,em pacientes com déficit neurológico importantes, que já não tem capacidade de fala pelo próprio quadro neurológico,geralmente é indicada a própria traqueostomia, que gerará segurança do ponto de vista respiratório e facilitará aos cuidadores aspiração de secreções (catarro).
Pacientes com estenose extensa (maior que 50% do comprimento traqueal),porém com boa saúde,jovens geralmente é indicada a órtese traqueal.
A cada seis meses tal órtese é trocada e a traquéia reavaliada, caso a extensão tenha se reduzido,pode ser indicada a traqueoplastia.
Finalmente,em pacientes com estenose menor que 50% e boa saúde indica-se a traqueoplastia,que apesar de ser o procedimento mais trabalhoso,restaurará a dinâmica normal da respiração e fonação.
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